SOBRE A COR DOS OLHOS
SOBRE A COR DOS OLHOS
José Fernandes de Lima[1]
A comunicação feita através do olhar pode ultrapassar, em importância, a comunicação verbal. Os olhos desempenham um papel fundamental na formação da primeira impressão durante apresentações ou interações sociais. O contato visual influencia o julgamento sobre a sua competência e simpatia. Um olhar assertivo gera empatia e proximidade. Manter contato visual durante a conversa é fundamental para adquirir a confiança do interlocutor.
Há quem diga que os olhos expressam as emoções experimentadas pelo ser humano. É através dos olhos que travamos contato com outras pessoas, que sabemos num lance se podemos ou não confiar no que nos dizem ou naquilo que aparentam sentir. Os olhos têm uma maneira de nos captar, despertar reconhecimento ou curiosidade antes mesmo de uma única palavra ser dita. Muitas vezes, os olhos são a primeira coisa que percebemos numa pessoa.
Os olhos possuem fisicamente um número tão grande de variações que constituem um dos elementos mais característicos e singulares de uma pessoa. Nos últimos tempos, o reconhecimento da íris tem funcionado como uma “impressão digital” ocular, mediante o uso de padrões únicos de sua estrutura para identificar indivíduos com alta precisão. Um scanner captura uma imagem em alta resolução, converte-a em um código matemático e compara com bancos de dados, em segundos.
A tonalidade de olho mais comum é o castanho, muito comum na África, na Ásia e na América. O azul é mais frequente no norte e no leste da Europa. O verde é o mais raro de todos. Encontra-se em cerca de 2% da população global. Os olhos castanhos claros acrescentam ainda mais diversidade, parecendo muitas vezes alternar entre verde e o castanho, dependendo da luz.
A literatura e a música costumam exaltar a beleza dos olhos como símbolo de emoção, amor e mistério, usando-os como metáfora para a alma e a conexão humana. Vários autores utilizam a cor dos olhos para estabelecer contraste e indicar caráter.
No livro Dom Casmurro, Machado de Assis elevou a cor dos olhos ao status de personagem. Ao descrever os olhos de Capitu como “olhos de ressaca” ele foca não apenas na cor escura, mas no magnetismo do seu olhar.
Mas o que determina a cor dos olhos?
A cor dos olhos é determinada principalmente pela quantidade e distribuição de melanina na íris, a parte colorida do olho. A melanina é um pigmento natural produzido pelo corpo humano que dá cor a pele, aos cabelos e aos olhos.
A melanina é uma substância derivada do aminoácido tirosina, formada por meio de reações química dentro dos melanócitos. Após sua produção, ela é distribuída para outras células da pele, ajudando a determinar o tom cutâneo de cada pessoa. Quando a pele é exposta ao Sol, o corpo aumenta a produção de melanina. A principal função da melanina é proteger o DNA das células contra os danos causados pela radiação ultravioleta do Sol. Ela age como uma barreira natural, absorvendo e dissipando parte dessa radiação.
Existem três tipos de melanina: Eumelanina – marrom e preto, Feomelanina – tons mais claros e avermelhados, Neuromelanina – presente em áreas específicas no cérebro.
A íris possui células chamadas melanócitos, que produzem melanina. Quando há grande concentração de melanina, os olhos tendem a ser castanhos ou escuros. Isso ocorre porque o pigmento absorve mais luz, reduzindo a dispersão e tornando a coloração mais intensa. Quando há baixa quantidade de melanina, os olhos podem ser verdes ou azuis.
Cabe ressaltar que a cor azul do olho não é resultado de nenhum pigmento azul, mas sim de um fenômeno ótico chamado dispersão da luz, semelhante ao que ocorre com a cor do céu. Nos olhos azuis, os comprimentos de onda mais curtos da luz incidente são espalhados de forma mais eficaz do que os comprimentos de onda mais longos como o vermelho ou o amarelo. Os olhos azuis possuem pouca melanina na camada anterior da íris, permitindo maior espalhamento da luz, o que produz a tonalidade azulada.
Olhos verdes decorrem de uma quantidade intermediária de melanina, combinada com efeitos de dispersão da luz e, em alguns casos, presença de feomelanina.
Além da estética, a quantidade de melanina também influencia aspectos funcionais. Pessoas de olhos mais claros, por possuírem menos melanina, podem apresentar maior sensibilidade à luz (fotofobia), enquanto olhos mais escuros tendem a oferecer maior proteção contra a luminosidade intensa.
Durante muito tempo, acreditou-se que a cor dos olhos era determinada por um único gene dominante ou recessivo, adotava-se o modelo “castanho vence o azul”, controlado por um único gene.
Pesquisas recentes mostram uma realidade muito mais complexa. Hoje se sabe que muitos genes participam dessa determinação, influenciando a produção, o tipo e a distribuição da melanina na íris. Isso explica por que crianças da mesma família podem ter cores de olhos drasticamente diferentes, e por que dois pais de olhos azuis às vezes podem ter um filho com olhos verdes ou até castanhos claros.
A cor dos olhos também muda como o tempo. Muitos bebês de ascendência europeia nascem com olhos azuis ou cinzentos porque seus níveis de melanina ainda são baixos. À medida que a pigmentação se acumula gradualmente nos primeiros anos de vida, esses olhos azuis podem mudar para verdes ou castanhos.
Na idade adulta, a cor dos olhos tende a ser mais estável, embora pequenas mudanças na aparência sejam comuns, dependendo da iluminação, da roupa ou do tamanho da pupila. Por exemplo: olhos azuis-acinzentados podem parecer muito azuis, muito cinzentos ou até um pouco verdes, dependendo da luz ambiente.
A heterocromia, em que um olho tem uma cor diferente do outro, ou uma íris contém duas cores distintas, é rara, mas impressionante. Pode acontecer devido a genética, resultado de uma lesão ou ainda estar relacionada a condições de saúde específicas.
A atriz Demi Moore, vencedora do globo de Ouro por “A Substância” apresenta heterocromia sutil, um olho verde e outro castanho.
No final das contas, a cor dos olhos é mais do que apenas uma peculiaridade da genética e da física. É um lembrete de como a biologia e a beleza se entrelaçam. Cada íris é como um pequeno universo, anéis de pigmento, manchas douradas ou marrom profundo que captam a luz de maneira diferente cada vez que você olha.
Sejam azuis, verdes, castanhos ou algo entre eles, cada par de olhos conta uma história totalmente única, de herança, de individualidade e da beleza de ser humano.
Independente da cor dos olhos, o olhar tem uma capacidade muito grande de expressar os nossos sentimentos, atitudes e pensamentos.
ResponderExcluirAcabei de receber um vídeo com a música de Antônio Carlos Jobim que diz "Quando a luz dos olhos meus e a luz dos olhos teus resolvem se encontrar....."
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