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SOBRE O RUFAR DO TAMBOR

SOBRE O RUFAR DO TAMBOR José Fernandes de Lima [1] O tambor é um dos instrumentos mais antigos da humanidade, funciona não apenas como base musical, mas como recurso de comunicação, ritual sagrado e símbolo de resistência cultural. Antes da eletricidade, do telégrafo e do rádio, o tambor já era o meio de transmissão de dados mais rápido à longa distância.  Se olharmos o tambor com o olhar da física, ele é um prato cheio de ondas, pressões e vibrações.  Quando você dá uma pancada na pele do tambor, você empurra o couro para baixo. Ele volta rapidamente e fica subindo e descendo em alta velocidade. Esse movimento empurra e puxa o ar ao redor, criando ondas de pressão que viajam pelo ar até baterem no nosso tímpano. O som nada mais é do que uma vibração que se propaga.  Tambores grandes (como o bumbo ou o surdo) têm membranas maiores que movem uma quantidade enorme de ar em frequências baixas (sons graves).  A pele do tambor não vibra igualmente ao mesmo tempo. Ela...

A ARTE DA FOTOGRAFIA E A CIÊNCIA DA LUZ

A ARTE DA FOTOGRAFIA E A CIÊNCIA DA LUZ José Fernandes de Lima [1] Antes de se tornar uma das formas de expressão mais populares e impactantes da humanidade, a fotografia nasceu como um enigma da física e da química.  O primeiro princípio que torna a fotografia possível é uma lei simples da ótica geométrica: a luz caminha em linha reta. Quando a radiação luminosa refletida pelo mundo atravessa um pequeno orifício e adentra um recinto escuro, ela desenha no fundo da parede oposta uma projeção invertida da realidade. A imagem formada no fundo da câmera escura é uma imagem efêmera, um espectro que desaparece assim que a fonte de luz é interrompida.  A grande busca que ocupou cientistas e inventores no século XIX não foi a criação da imagem, mas a sua fixação. Para que a luz deixasse de ser um evento passageiro e se tornasse um objeto tangível, foi necessário convocar as ciências dos materiais. A fotografia nasceu na intersecção onde a física da reflexão e a química dos elementos ...

A ECONOMIA CIRCULAR E O MOTOR INVISÍVEL

A ECONOMIA CIRCULAR E O MOTOR INVISÍVEL José Fernandes de Lima [1] A discussão sobre resíduos sólidos esteve durante muito tempo concentrada em questões sanitárias e ambientais. A prioridade era reduzir impactos causados pelo descarte inadequado e garantir condições mínimas para a preservação da saúde pública.  O aumento da demanda por matérias-primas, associado às exigências regulatórias, levou diferentes setores a buscar formas mais eficientes de produzir e consumir.  A gestão de resíduos passou então a ser vista como uma questão estratégica por diversos setores produtivos. A mudança de paradigma começa quando os resíduos deixam de ser analisados apenas como descarte e passam a ser avaliados pelo potencial econômico que carregam. Papeis, plásticos, metais, vidros e resíduos orgânicos representam exemplos de materiais que podem gerar novos produtos quando adequadamente processados e, portanto, em vez de encararem sua trajetória após o consumo, esses recursos podem retorn...

SOBRE O PISCAR DE OLHOS

SOBRE O PISCAR DE OLHOS José Fernandes de Lima [1] Há quem use a expressão “piscar de olhos” como unidade de tempo. É comum ouvirmos dizer que determinado evento teve a duração de um simples piscar de olhos.  Estima-se que o piscar de olhos demora cerca de 100 a 400 milissegundos.  Do ponto de vista fisiológico, o piscar é um mecanismo automatizado de manutenção do sistema ocular. O reflexo espontâneo aciona os músculos do olho diante de ameaças físicas, correntes de ar ou toques repentinos, funcionando como um para-brisas de emergência. A cada fechamento da pálpebra, o filme lacrimal é espalhado uniformemente sobre a córnea, nutrindo o tecido vascular, removendo detritos e mantendo a superfície óptica lisa para a refração da luz. Nós piscamos cerca de 15 a 20 vezes por minuto. Isso significa dizer que piscamos mais de 15 mil vezes por dia.  Quando ficamos ansiosos, as pálpebras batem mais rapidamente e quando ficamos hipnotizados diante de uma tela ou absorvido por um li...

EDUCAÇÃO ESCOLAR E QUALIFICAÇÃO PARA O TRABALHO

EDUCAÇÃO ESCOLAR E QUALIFICAÇÃO PARA O TRABALHO José Fernandes de Lima [1] De acordo com os manuais de Física, trabalho pode ser compreendido como uma grandeza que mede a transferência de energia para um objeto por meio da aplicação de uma força que realiza um deslocamento. Nesse sentido, o trabalho está associado com às transformações que acontecem no universo. Sempre que algo no universo muda, podemos dizer que houve um trabalho.  O ser humano, como ser vivo que é, tem a capacidade de realizar trabalhos. O trabalho realizado pelo ser humano, além de modificar o mundo ao seu redor,  pode trazer benefícios materiais, emocionais ou psicológicos. Há quem afirme que o trabalho é o meio de subsistência material e de inserção social na estrutura moderna. Do ponto de vista da sociologia, o trabalho é a atividade humana pela qual o ser humano transforma a natureza, produz sua própria existência e cria cultura. Nesse sentido, o trabalho contribui para a realização da própria dign...

EXAMES DE IMAGEM

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EXAMES DE IMAGEM José Fernandes de Lima [1] No final de uma reunião online, uma colega informou que não poderia participar da próxima reunião porque havia marcado um exame de saúde para a mesma data e hora, com vistas ao monitoramento da sua gravidez.  Viajei nessa informação e refleti sobre os tipos de exame médico praticados na atualidade e sobre a importância do avanço tecnológico para o setor do diagnóstico médico.  Antigamente, a medicina dependia quase que exclusivamente da observação dos sintomas clínicos e da palpação realizada pelo médico. O avanço da tecnologia, baseada em fenômenos físicos conhecidos, permitiu a criação dos exames de imagem e a consequente redefiniçao do olhar médico. Os exames de imagem nos permitem “ver” o interior do paciente.  Os exames de imagem são não apenas ferramentas de diagnóstico, eles representam uma revolução epistemológica na medicina, unem física, computação e biologia para descobrir antecipadamente a doença antes que ela se man...

SOBRE LUZES E SOMBRAS

SOBRE LUZES E SOMBRAS José Fernandes de Lima [1]   A sombra é formada pela ausência parcial de luz proporcionada por um obstáculo.  Quanto maior for a opacidade do obstáculo, maior o bloqueio da passagem de luz e mais nítida a sombra.  A forma e a intensidade da sombra dependem da posição e da intensidade da luz. O conceito de sombra é fundamental para entender fenômenos como os eclipses ou a formação de imagens em câmeras fotográficas. Na arte, a luz e a sombra são usadas para criar profundidade e realismo.  A manipulação da luz e da sombra pode ser utilizada para destacar ou esconder os detalhes de uma obra de arte.  É através do jogo de sombras que o artista evidencia os contrastes.  MIchelangelo Merisi da Caravaggio, o pintor italiano conhecido por Caravaggio, ficou conhecido por utilizar contrastes extremos de luz e sombra nas suas pinturas.  O teatro de sombras é uma forma antiga de arte que utiliza sombras projetadas para con...