PARA UNESE E ALÉM

PARA UNESE E ALÉM

José Fernandes de Lima[1]

Em uma análise abrangente sobre a recém-criada Universidade Estadual de Sergipe (UNESE), o Professor Jorge Carvalho do Nascimento ressaltou a importância de se ampliar a oferta de vagas no ensino superior no estado. No referido artigo, o Professor Jorge lembrou os diversos saltos da educação no Estado de Sergipe. 

De acordo com a análise publicada, a criação da UNESE é o quarto grande salto da educação sergipana. Ele coloca o governador Mitidieri e o seu vice Zezinho Sobral na galeria daqueles que deram grandes contribuições para o crescimento do Estado, mediante a melhoria da educação.

O compromisso do governo com a ampliação do ensino superior abre caminho para que sonhemos com o desenvolvimento científico do Estado. 

A localização e as dimensões geográficas reduzidas do Estado sugerem a necessidade de apostarmos no desenvolvimento econômico baseado em produtos e serviços de alto valor agregado. Isso requer apostar no investimento em ciência e tecnologia e na qualificação de pessoal. Nesse sentido, a criação da UNESE traz uma excelente oportunidade para refletirmos sobre o futuro que queremos. 

Uma forma de concretizar esse intento é a criação de uma secretaria de ciência, tecnologia e inovação capaz de mobilizar a inteligência estadual em prol do desenvolvimento econômico e social.

Se fosse perguntado sobre uma forma de dar consequência à criação da UNESE, eu diria que o governo deve aproveitar o momento para consolidar o setor de CTI. Pode aproveitar para fortalecer o setor de ciência e tecnologia da SEDETC.

O Estado de Sergipe está vivendo um momento de transformação tecnológica. Recentemente, o governo, colocou em consulta pública a Agenda Estratégica da Transformação Energética do Estado de Sergipe que visa, entre outros pontos, tirar proveito da disponibilidade de gás natural. Na mesma direção, a SEDETEC tem feito esforços para viabilizar a instalação de Data Centers no território sergipano.

O esforço visa atrair grandes empresas mediante a oferta de facilidades na oferta de energia, água, logística e redução de impostos.

Os projetos iniciais para montagem dessas estruturas, podem ser feitos por consultorias especializadas. Porém, para a implantação e o funcionamento das estruturas planejadas, será necessário contar com a mão de obra nativa, altamente qualificada.

Desse modo, o plano de desenvolvimento econômico e social deve ser acompanhado de um diálogo com as instituições formadoras de pessoal, notadamente com as instituições de ensino superior. Cabe, portanto, fortalecer a Secretaria de Educação e sobretudo o setor de ciência e tecnologia que hoje está abrigado na SEDETEC. 

No limite, o governo poderá concluir que vale a pena criar uma secretaria específica para cuidar da ciência, tecnologia e inovação, como já acontece em muitos estados brasileiros. Os recursos necessários para criação da nova secretaria seriam de pequena monta, posto que muitas diretorias necessárias já existem espalhadas em diversas instituições. 

A nova secretaria pode reunir as atividades de várias instituições isoladas que já existem, dentre elas o ITPS, a FAPITEC, o SERGIPE_TEC e, a depender da conveniência, abrigar a própria Universidade Estadual. 

Para além de qualificar o estado como possuidor de estrutura administrativa atualizada, a criação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação liberaria a atual SEDETEC para concentrar seus esforços na atração de novas empresas e consolidação da infraestrutura industrial.

Por tudo isso, concordo com as observações do Professor Jorge Carvalho e incentivo que o governo siga em frente e consolide uma estrutura de CTI, nos moldes do que está sendo feito pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. 

Para finalizar, apelando para os vínculos da ciência com a arte, peço licença ao personagem Buzz Lightyear, boneco astronauta do filme Toy Story, para parafrasear o seu bordão e dizer: PARA UNESE e ALÉM!!! 



[1] Físico e Proofessor

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

EDUCAÇÃO BÁSICA E SUSTENTABILIDADE

CANTAR CIÊNCIA

SERÁ O LÍTIO O NOVO PETRÓLEO?